sábado, maio 28, 2005

Esclarecimento

Atenção:

Após a leitura dos comentários aqui deixados (n.d.r. Mar das Lamentações), cheguei à conclusão que, a minha pessoa se tem tornado, em motivo de conversa. Visto que esta situação começa a incomodar (apesar de estar todo contente, atingi os 7 COMENTÁRIOS!), vou revelar aqui toda a verdade.
Eu estou apaixonado. Muito. Demais, para ser sincero. Se não o disse até agora, era porque se trata duma figura pública, além de ser do sexo masculino. Sim, eu tenho uma relação homossexual. Eu estou envolvido, numa vida a dois, com o… Ursinho Puff. Pronto está dito. Satisfeitos? Percebem agora porque mantive segredo e dei azo a conversas efémeras? Porra, não é todos os dias, que admitimos o namoro com tão ilustre personagem. Já que contei, não vale a pena esconder mais, é preferível "despejar" tudo. Ele é a pessoa mais doce do mundo. Traz-me mel, dá-mo na boca, faz-me carinhos (ai aquelas mãos, tão peludas, tão másculas, ui até me dá arrepios, só em falar disso!), trata-me por docinho, paixão, torrãozinho de açúcar… e o amarelo? Nem fazem ideia de como lhe fica bem! Eu até já lhe disse, para usar uma “sharpe” cor-de-rosa, para combinar com o seu pêlo, só que ele não quer, diz que lhe dá um aspecto demasiado gay…
Enfim, isto tudo para dizer que estou muito bem assim, não tenciono trocar e pretendo manter esta relação durante muito tempo. Quem sabe, casar e constituir família? Tenho, no entanto, de ter cuidado. O tigre anda a fazer-me olhinhos, não sei se vou aguentar muito mais tempo, aquele cor de laranja, aquelas listas, meu Deus…

P.S. Tenho de admitir, depois de escrever este texto, só de pensar no meu ursinho fiquei todo molhado, aiiiii, o amor é lindo…

sexta-feira, maio 27, 2005

Cinismo

A razão está sempre do lado cínico da verdade!
Por mais que procure pessoas decentes, teimo em não as encontrar. Começo a sentir que elas não existem… O cinismo tornou-se regra número, superiorizando-se, até, em relação a verdade. Porque será? Serão as pessoas más ou terá sido a sociedade que as corrompeu? Quero acreditar que foi o meio em que elas habitam, que as tornou assim. Quero acreditar…
Vivemos uma época dedicada ás marcas, ás poses, atitudes e ilusões, enfim, um hino ao consumismo. Infelizmente. Aqui ganha quem mais tiver, quem melhor aproveitar todas as situações. Chega a tocar o limite do ridículo, o que certas pessoas fazem por um ponto extra, na tabela do “porreiro”, dos outros. Humilhante. O que é dado hoje como certo, amanhã já está ultrapassado, antiquado! Uns dizem que são os sinais do progresso, outros, qual Velho do Restelo, afirmam que a destruição do mundo está próxima. Estão os dois, completamente loucos! Nada disso. Tudo isto não passa de cinismo puro, daquele mais reles e desprezível. Cinismo, esse, que não pode ser combatido, nem aniquilado. Está demasiado impregnado nas almas, de quem o pratica. Não consigo combatê-lo, tornou-se demasiado forte para mim. Manter esta postura radical, só me traz desilusões e dissabores. Tal como diz o ditado, senão os podes combater, junta-te a eles. É o que vou fazer, infelizmente. Não sei como, mas vou. O que tem de ser, e é, tem muita força! Talvez faça um curso na “Home Inglish”, ou assim. Vamos ver…

segunda-feira, maio 23, 2005

Charme

Não foram os olhares! Muito menos as carícias. Nem por sombras fui apanhado pelo teu corpo assassino. O que me fez perder, o que abateu o meu bom senso, foi inexplicavelmente, o teu charme. Cativou-me, que posso eu dizer? São tantas as formas de atingir alguém, e tu tinhas logo de o fazer onde sou mais vulnerável, no charme. Encantou-me, que posso eu dizer? Era um oceano de gente, de palavras, gritos, sentimentos e no entanto apenas em ti reparei. São tantas as emoções gastas e rebuscadas, porquê a minha atracção? Foi o charme, só pode ter sido... Atraiu-me, que posso eu dizer?
E agora?

sábado, maio 21, 2005

Troca...

Aviso:
Troca-se irmã em bom estado, por um bilhete para o próximo Porto - Académica.
Garantia de mercadoria em bom estado, ainda por "abrir".
Metro e sessenta, 57kilos bem distribuídos por todo o corpo.
Apenas a salientar uma pequena estria aqui e ali, mas nada de muito grave.
Contactar: O Outro, Rua dos Traficantes, nº33.
Pede-se descrição!
Obrigado.

sexta-feira, maio 20, 2005

Acabou...(outra vez!)

O que mais magoa, num homem ou mulher, é, após o término duma relação, verem o seu ex-parceiro/a, nos braços de outra pessoa. Magoa, simplesmente (como se houvesse simplicidade no amor!) porque foram eles os primeiros, a moverem de novo a sua vida. Magoa, basicamente porque um sentimento, por mais físico que seja, ainda mexe, ainda causa aquele friozinho no ventre. Que fazer perante uma situação destas? Alguns montam o seu melhor sorriso e enfrentam de queixo erguido, a (dura!) realidade. Se funciona? Parece-me que as lágrimas, que são mais tarde derramadas, num choro sufocado e só, dizem o contrário... Outros por seu lado, não querem, não conseguem ou não podem (!) e ao mínimo contacto visual, soluçam, o coração acelera e "humilham-se" ali mesmo. Acredito, neste caso, que em parte, é real esse choro, mas contudo outros (grandes actores, que deviam estar nas longas metragens da TVi), praticam este choro "público", tentando angariar pena e compaixão alheia. São "vítimas", perante o "assassíno", que as trocou!!
A única conclusão que me atinge, é a de que, nenhuma destas soluções funciona realmente! Porquê? Porque se a outra pessoa vos deixou, ela, nunca mais irá voltar. Não acredito em segundas oportunidades! Podem até estar com ele/ela novamente, mas nunca o/a "têm", aquele sentimento acabou no momento da partida. Resta seguir em frente ou tecer lamúrias eternamente...porra a vossa alma gémea pode estar ao virar da esquina...!

domingo, maio 15, 2005

Morte

Como eu gostava de estar deitado ao sol, num jardim, perdido nos meus próprios pensamentos. Como eu gostava de poder olhar o sol, sem queimar as pálpebras, sem ter de fechar os olhos. Era bom. Melhor que isso, era poder passar o tempo a olhar o vazio, o nada, simplesmente parado, estacado a observar. Era bom. Não fazer rigorosamente nada, nem pensar sequer. A vida acaba da mesma forma como começa, nuns breves instantes, do nada nascemos, para o nada voltámos, simples não acham? Simples demais até…Para o ser complexo que somos, é demasiado simples o nosso fim. Eu considero que deveria ser mais empolgante, mais criativo, o nosso fim. O pior, é que isso só acontece nos filmes, e mesmo assim não é em todos! Isto sim, não nada bom. Nada mesmo. A morte não é tão complexa como deveria ser, para mim tem de haver algo mais, algo acima da morte. Não se morre e pronto já está! Falta qualquer coisa ali, tem uma brecha, uma falha, a morte não pode ser só aquilo! Ou será? O pior é a morte não matar a pessoa que leva, mas sim as que ficam. Á hora da morte de cada um, já vamos metade mortos, ou mais. Porquê? Basicamente, porque com a morte, dos que nos rodeiam, nós vamos sentindo aquela perda, aquela falta, no fundo um pouco de nós vai com essas pessoas para o túmulo. Enquanto que para o que morre tudo termina ali, para os que sobrevivem, o pesadelo da vida está apenas a começar. Infelizmente.
Porque falo eu de morte? Tenho de falar, sou categoricamente obrigado a falar de morte! O conceito de morte, é o único certo na nossa vida, nada mais temos, a que possamos intitular (verdadeiramente) de nosso. Todo o dinheiro, felicidade, saúde, tudo aquilo pelo qual se luta constantemente na vida, não é nosso, nunca o foi. Podem dizer que o conseguiram, que o podem manter, mas não existe nada de mais errado! Tudo irá desaparecer, cedo ou mais tarde, tudo isso regressará ao seu verdadeiro dono. Se não for em vida, será seguramente em morte. Só o desvanecer, é verdade absoluta. A única. Não sou filósofo, mas qualquer um vos poderá confirmar a premissa de cima.
A única verdade absoluta, a única certeza, a única razão para viver…A morte…
Daqui a umas horas prometo que escrevo algo mais "simpático", até porque estou bem disposto, o Porto ganhou!!! Obrigado por ainda continuarmos vivos...

quinta-feira, maio 12, 2005

Falta de vontade...

Clã
Só pra dizer que te Amo,
Nem sempre encontro o melhor termo,
Nem sempre escolho o melhor modo.
Devia ser como no cinema,
A língua inglesa fica sempre bem
E nunca atraiçoa ninguém.
O teu mundo está tão perto do meu
E o que digo está tão longe,
Como o mar está do céu.
Só pra dizer que te Amo
Não sei porquê este embaraço
Que mais parece que só te estimo.
E até nos momentos em que digo que não quero
E o que sinto por ti são coisas confusas
E até parece que estou a mentir,
As palavras custam a sair,
Não digo o que estou a sentir,
Digo o contrário do que estou a sentir.
O teu mundo está tão perto do meu
E o que digo está tão longe,
Como o mar está do céu.
E é tão difícil dizer amor,
É bem melhor dizê-lo a cantar.
Por isso esta noite, fiz esta canção,
Para resolver o meu problema de expressão,
Pra ficar mais perto, bem mais de perto.
Ficar mais perto, bem mais de perto.


Hoje é daqueles dias em que falta inspiração, vontade e até mesmo tempo. Podia até nem ter escrito nada, mas por respeito aos leitores assíduos do blog (eu, o U Tal, a minha mãe e talvez o Bill Gates!), decidi deixar algo. O interessante é que não consegui deixar algo de pouca importância, tinha mesmo de deixar algo que me tocasse. Fica, assim, "A" música dos Clã, simplesmente porque viveu, vive e viverá comigo, pelo menos enquanto fizer o sentido, que tem...

segunda-feira, maio 09, 2005

Comprimidos

O que aconteceu: uma escuridão imensa, uma dor terrível da qual não posso fugir, tenho muito medo; assusta-me a estrada vazia à minha frente; assusta-me não haver luz e a solidão escancarada nos olhos da noite. Sinto-me cada vez mais longe de mim, como se tudo o que fui ou sou, me escapasse por entre os dedos, sem retorno. Estou perdido e estou sozinho. Vejo-me tremer.
Às vezes, queria apenas um abraço como aqueles que se dão às crianças, um inocente abraço. Uns braços a envolverem-me e a dizerem-me: estou aqui. Ou então uns olhos onde me pudesse ver. Verdadeiramente.
Eu sei que é muito confuso, não sabes porque te digo isto, assim, a ti. Mas eu explico, é que, ainda que estejas muito longe, ainda que a tua voz e o teu corpo sejam uma ilusão, eu amo as tuas palavras. Eu amo todas as palavras que me dizes, e todas me dizem calor paixão carinho abraço, ou ombro onde por vezes choro e adormeço.
Tenho saudades tuas. (merda de fim se semana, nunca mais acaba…decididamente tenho de deixar de hibernar!)
Já quiseram voltar atrás? Já quiseram provar o arrependimento? Já tentaram rir, enquanto choram? Já questionaram o porquê de tantas incertezas? Existirá ser mais confuso, que o ser humano? Penso que não, aliás, quero acreditar que não! Se assim não fosse, a confusão, qual seria a minha desculpa, para os meus problemas, para as minhas tristezas? Bem sei que não será com choros escondidos ou gemidos abafados, que eles irão desaparecer...no entanto até lá, bem...é a única solução que preciso...isso, e os comprimidos, que vou esmagando e engolindo, como se de açúcar se tratasse!
Até amanhã ou assim..."Sou o que sou, alguém tinha de sê-lo."

domingo, maio 08, 2005

Amigos

Alexandre O’Neill

Mal nos conhecemos
Inauguramos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!

Não encontro melhor forma, de expressar a minha gratidão aos meus amigos. Não em quantidade, mas sim em qualidade (muita mesmo!). Desta forma, este poema, vai inteirinho para o Ivo, a Boo e evidentemente para o Ilustríssimo Vitor! O meu enorme obrigado, porque para voçês o verbo Ajudar, existe em todos os tempos verbais...Obrigado...

sábado, maio 07, 2005

Kolmi's

Um dos maiores flagelos da nossa era, é sem margem de dúvida, o telemóvel! Se repararem na quantidade, destes objectos, que hoje em dia nos rodeiam, dá em media dois ou três por cabeça! Chega a ser absurdo, aliás, é absurdo! Devo no entanto dizer que não tenho nada contra o telemóvel em si, até porque, também eu usufruo dum. A minha lamentação, a minha critica, é sim dirigida aos utilizadores da TMN. Porquê? EU explico! A minha rede é a TMN, bem como, a da maior parte dos portugueses. Ora de todas as invenções, promoções e asneiras criadas, a pior de todas, são os Kolmi’s. Se até aqui não tinham compreendido a razão deste texto, de certo que agora começam a ver a luz ao fundo do túnel! Tudo bem, por vezes dá jeito, mas se for só de vez em quando, agora sempre… Eu chego a receber uma média de 60/70 Kolmi’s por dia!! Acham isto normal? É fantasmagórico… Antes eram os toques, agora são os Kolmi’s! Tal como as cartas em cadeia, eu arranjei uma solução para o meu problema! De agora em diante, de cada vez que receber um Kolmi, é depositado um €, numa conta minha, na Suiça! Deixo desde já aqui o meu apelo e pedido, para que enviem, o maior número máximo de Kolmi’s possível, conto convosco. Até porque a minha vivenda nos Alpes, a minha ilha nas Maldivas e o meu Aston Martin, não se compram sozinhos…Pensem nisto como uma boa acção, para com um tipo que já viveu as agruras da vida, devido a maldição dos Kolmi’s! Para todos aqueles que não pertencem à minha rede, eu deixo aqui o número da conta, para voluntariamente depositarem um €. Já dizia o ditado, “Grão a grão, enche a galinha o papo!”
Para finalizar, não me posso esquecer de dizer que, para todos os “telemóveis” do sexo feminino, que considerem ter uma “capa” digna de qualquer revista masculina (Maxmen, FHM, Maria, e por aí fora…), ao invés de depositarem o euro, mandem-me uma sms, com os vossos dados pessoais… É para o relatório que eu estou a redigir para a C.E.E., apenas trabalho, OK?
Nota:
Numero da conta: 3456321-13468654-124354-69
Numero do Telemóvel: 967721918 / 918986557
Relatório: Trabalho profissional, relativo ao número de gajas “boas” em relação com o número de paspalhos que as acompanham, isto é, tentar compreender o porquê, de cada vez mais, as boazonas andarem de braço dado, com verdadeiros emplastros.

P.S. É que eu sou um verdadeiro emplastro, aliás O emplastro, e por qualquer carga de trabalhos, não vejo nenhuma boazona de braço dado comigo…e eu que nem cheiro assim tão mal da boca…

quinta-feira, maio 05, 2005

Sufoco

Tenho medo. Todos temos medo. Eu tenho um medo ainda maior. Medo de ficar só. Algo que me assombra todas noites, está pacientemente, à minha espera para continuarmos o sofrimento da noite passada. Fantasma. Demónio. Pesadelo. Sonho. Sonho suicida. Porquê? Não consigo viver sem ela. Sem a conhecer a vida era morosa e entediante. A partir do momento em que a vi, o crime aconteceu. Estava feito, já não era possível retroceder. Fui apanhado, como um mosquito é atraído pela luz. E que luz ela é…mas não é minha, nem de ninguém.
Estou só na escuridão do quarto, na penumbra. Ainda tenho uns resquícios dela. Da luz. Queria adormecer para não mais acordar, queria a noite eterna, queria… As horas não passam, continuam mortas. As horas, como eu, estão presas a um fio interminável. Não têm vida própria, nem vontade de viver. Hora a hora, elas são obrigadas a continuar, obrigadas a dar o seu sinal de vida. Eu compreendo profundamente as suas frustrações, elas aceitam as minhas. Elas estão sempre comigo. As horas. De dia, de noite, devagar, um pouco mais rápido, elas estão sempre aqui. Elas vão continuar aqui eternamente, mesmo depois de eu partir, elas vão continuar aqui. As horas são lindas, também és linda. És um demónio belo demais, para caminhar lado a lado comigo. Não passo dum fantasma do homem que fui, duma sombra do antigamente. Só vejo isso, sombras. Sou um vagabundo, que caminha lentamente por aí. Sombras e mais sombras, defronte de mim. As pessoas não passam dum mero reflexo no chão, dum estranho adeus que se cruza comigo. Porque me disseste adeus? Não podias ter dito até já? Até daqui a pouco? Adeus não, adeus faz-me esquecer o momento, aquele momento. Tivemos uma relação de momentos, de pedacinhos de céu. O resto foi um inferno, uma ferida aberta. Lutávamos todos os dias, a ver quem sofria mais, achas correcto? O amor devia ter-nos levado ao paraíso, em vez disso caímos na desgraça, numa floresta de espinhos negros, de árvores queimadas.
Já não me recordo do teu sorriso, mas as tuas lágrimas estão presentes, demasiado. Apesar de teres derramado bastantes, nunca tive pena ou dó de ti, nunca. As tuas lágrimas faziam-me bem, aumentavam a parada (e o meu ego!). O que me causava uma dor lancinante, eram os teus sorrisos, os teus lábios rasgados de ponta a ponta, com uma alegria maldosa. Ainda hoje me custa ver-te sorrir, preferia lágrimas, preferia um choro sentido e sofrido.
Meu Deus como me sufocas! As tuas marcas nunca mais desaparecem, a tua voz não acaba, tu insistes em viver. MORRE!É uma situação desesperante…um destino por traçar, um caminho demasiado bifurcado. Não consigo encontrar a saída, perdeste-me novamente. Rendo-me, mata-me por favor, é o tudo ou nada…diz que eu sou tudo, porque tu já não és nada…

Demasiado...

Desejo-te…só os muros e as pedras da calçada o sabem… Faz meses que não sinto os teus lábios, será que ainda sabem ao mesmo?

domingo, maio 01, 2005

Mário de Sá Carneiro - "Caranguejola"

Ah, que me metam entre cobertores,
E não me façam mais nada!...
Que a porta do meu quarto fique para sempre fechada,
Que não se abra mesmo para ti se tu lá fores!

Lã vermelha, leito fofo. Tudo bem calafetado...
Nenhum livro, nenhum livro à cabeceira...
Façam apenas com que eu tenha sempre a meu lado
Bolos de ovos e uma garrafa de Madeira.

Não, não estou para mais; não quero mesmo brinquedos.
P'ra quê? Até se mos dessem não saberia brincar...
Que querem fazer de mim com estes enleios e medos?
Não fui feito p'ra festas. Larguem-me! Deixem-me sossegar!...

Noite sempre p'lo meu quarto. As cortinas corridas,
E eu aninhado a dormir, bem quentinho - que amor!...
Sim: ficar sempre na cama, nunca mexer, criar bolor -
P'lo menos era o sossego completo... História! Era a melhor das vidas...

Se me doem os pés e não sei andar direito,
P'ra que hei-de teimar em ir para as salas, de Lord?
Vamos, que a minha vida por uma vez se acorde.
Com o meu corpo, e se resigne a não ter jeito...

De que me vale sair, se me constipo logo?
E quem posso eu esperar, com a minha delicadeza?
Deixa-te de ilusões, Mário! Bom édredon, bom fogo -
E não penses no resto. É já bastante, com franqueza...

Desistamos. A nenhuma parte a minha ânsia me levará
P'ra que hei-de então andar aos tombos, numa inútil correria?
Tenham dó de mim. C'o a breca! levem-me p'rá enfermaria -
Isto é: p'ra um quarto particular que o meu pai pagará.

Justo. Um quarto de hospital - higiénico, todo branco, moderno e tranquilo;
Em Paris, é preferível, por causa da legenda...
De aqui a vinte anos a minha literatura talvez se entenda;
E depois estar maluquinho em Paris, fica bem, tem certo estilo...

Quanto a ti, meu amor, podes vir às quintas-feiras,
Se quiseres ser gentil, perguntar como eu estou.
Agora no meu quarto é que tu não entras, mesmo com as melhores maneiras.
Nada a fazer, minha rica. O menino dorme. Tudo o mais acabou.