quarta-feira, junho 29, 2005

Bicho mau

Será a dor sentimental, mais dolorosa de atravessar, em comparação com a física?
Teremos qualquer tipo de futuro após a morte? Ou seremos apenas mais um punhado de cinzas? Morremos uma vez só, ou a nossa morte é contínua aos dias que vivemos? Existirá em nós alma, O divino, algo que nos distinga, ou não passamos, apenas, de carne, osso e pele?
Porque todos os dias, levantamo-nos e humanamente vivemos a nossa acomodação diária. Porque somos máquinas e dependemos de uma rotina. Porque somos egoístas e precisamos, a todo o segundo, de algo que nos faça sentir melhor. Precisamos duma aura. Infelizmente. Porquê este pedestal, em que tu és colocada? Vivemos numa Republica. O rei está morto. Consideraste a Afrodite dos tempos modernos. Eu vejo-te como um objecto. Sexual.
Devia haver uma máquina do tempo para cada um de nós! Ou então uma consciência, muito mais presente e activa. Devia. Enquanto que me pedes, para ficar dentro de ti, vou entrando e saindo. Sem respeito. Sem permissão. Quantas foram as vezes que morri dentro de ti? Quantas as ocasiões, em que fraquejei, antes da hora? Quantos foram os gemidos e gritos de ti? Por ti? Dentro de ti?
As vezes que me desejaste, contam-se pelos dedos das mãos. As vezes que me deixaste, sozinho com as minhas mãos e imaginação, equiparam-se ao número de pessoas, que se tornam seropositivas numa hora. Bicho mau. Vai-te! A televisão também me pode dar prazer…

Chuva

A chuva pedia-lhe que ficasse. Ainda agora tinha começado. Tinham muito pela frente. Desconhecia o que iria responder. Por muito que gostasse de chuva, ela não merecia o sacrifício. Disse-lhe que não. Começou a chover na sua face. Inúmeras gotas de chuva, desceram rosto abaixo, para mais tarde se reencontrarem no chão molhado. Era uma chuva áspera, demasiado forte para ser suportada sozinha. Disse-lhe não novamente. O tempo estava óptimo, mas a chuva começava a incomodar. Pedia-lhe que parasse, que renunciasse aquele local. Chuvoso. Imundo. Empobrecido pelo tempo demasiado alegre. Não vás! Ainda agora começou a chover. Espera mais um pouco…
Um chão, saturado de água, pedia um dia de sol. Que não vinha. Que tardava. Ansioso esperava. Um céu desanuviado. Descolorado. Tinha perdido o seu cinzento. Substituído agora por cores alegres. Frustrantemente alegres. Os amantes estavam cansados. Do sol, do arco-íris, dos chilrear, até mesmo deles próprios. Queriam chuva. Daquela forte, grossa, rude! Daquela que tudo molha, sem pedir licença ou perdão. Queriam a chuva dos assassinos. Eles eram tudo, menos inocentes. Os amantes. Da chuva. Do mau tempo.
Eram tristes. Amargos. Gastos e fartos de si mesmos. E do sol que os rodeava. Estavam saturadíssimos. Desejosos para descarregar. Para aumentarem os níveis de pluviosidade. Queriam tramar o seu futuro. Fodê-lo para sempre. Deixá-lo de rastos, sem hipótese de retorno. Fartos. E velhos. Muito velhos. Agoniantemente deixaram-se cair. No chão molhado. Pela chuva. Pelas lágrimas. Pelo sangue. Dos dois. Que morte pedia aquela vida, que não suicídio premeditado? Como todos os outros. Muito pensado. Ainda bem. Aquele sol não era deles. Agora a chuva…

domingo, junho 26, 2005

Ser...é:

Ser daltónico é: Ver os arrastões, na margem sul e dizer que os assaltos, foram cometidos por pessoas brancas… (do sexo feminino, é claro!)

Ser completamente chanfrado é:
Não saber sair dos postes e depois vir a público dizer, que sofreu uma carga do Vítor Baia no golo do Benfica…

(para as senhoras!) Ser doutro planeta é: Continuar a acreditar, que o rosa choque fica, ás mil maravilhas, com o verde florescente…

Ser ingénuo é: Dar a cara pelo Carlos Cruz, dizendo que os jovens que o acusam, de terem sido molestados sexualmente, não passam de antigos concorrentes do “1,2,3”, a quem foi negada a hipótese de ganhar um apartamento e um carro…

Ser ainda mais ingénuo é: Manter a ideia de que o João Pinto, não agrediu o arbitro no Mundial da Coreia do Sul…

Ser parvo/a é: Insistir na ideia de que a mãe de Jesus era virgem… (esta premissa é tão válida, quanto chegar aqui o Vale e Azevedo e dizer que não roubou nada, percebem? Não sei se me faço entender. Dizer isto, é o mesmo que, o Castelo Branco chamar gay, a quem quer que seja. Topam?)

Ser completamente burro é: Ler este blog e ainda por cima, comentar… (haverá coisa pior?)


P.S. Se alguém tiver mais alguma sugestão, já sabe, a porta está sempre aberta!

Ermesinde

Apressava-se para partir. Não aguentava, nem mais um segundo, naquela cidade. Cidade essa, que não lhe pertencia. Era emprestada. Usava-a, apenas para voar. Nada mais. Quanto ao resto…bem, digamos que ele queria esquecer…
Os acordes da noite passada, ainda ecoavam na sua fatigada cabeça. Ainda sentia o cheiro, intenso, do álcool. As suas roupas estavam impregnadas, com o cheiro da flor do tabaco. Cheirou mais um pouco. Ainda conseguiu sentir o doce aroma, da companhia noctívaga, que tivera. Não a desejara, mas tivera-a. Vezes em conta. Até o prazer fugir…
Jurou que não mais voltava aquela cidade. Se fraquejasse, sabia de antemão, que tinha a sua morte anunciada. Por isso mesmo, é que renunciou ao deleite da sua cama. Ás merecidas linhas de sono. Tinha de fugir. Encaminhou-se para a estação. Ermesinde. Parecia-lhe bem. (A mim também, mas eu não tenho nada com isso. A vida não é minha.) Tinha de esperar. A partida ainda estava longe. Entre dois cigarros, ia renegando o tempo. Sempre lento e moroso. Até as horas estavam contrárias, à sua partida. Malditas…
Sentiu uma presença em seu redor. Tinha a luz do sol, nos seus olhos, ofuscando-os. Apenas conseguia discernir um vulto. Feminino. Lindo. Perfeito. Era ela… Que faria ali? Quais as suas pretensões? Porquê?
Entreolharam-se profundamente. Procuraram, bem fundo, em seus olhos, a razão de tanto alvoroço. Porque é que ele ainda não tinha partido? Porque é que ela rumou atrás dele? Será que se amavam? Odiavam? Seria fisíco ou apenas sentimental? Seria… Não sei. Até hoje! O que ficou? Dois seres, abraçados num banco qualquer. Na estação de Ermesinde. Os dois. Num só. A chorarem compulsivamente. Dois mentirosos, a sofrerem. A doer. Tanto. A derramarem, nas suas faces, juras de amor eterno. Ouvia-se “fica”, “não posso”, “porquê”, “porque possuo um amor demasiado morto, por ti”. Loucos…
Tantas lágrimas. Salgadas e rudes. Assim, como devem ser. Lágrimas verdadeiras. Afinal, ali, havia mesmo amor… E hoje?

quinta-feira, junho 23, 2005

Mãe má

Quarto desarrumado. Ter de arrumar. Preguiça. Mãe furiosa. Obrigar. Não querer. Mãe fazer chantagem. Chocado. Horrorizado. Mãe chantagear?? Uuuuiiii...
Mãe ameaçar dormir com cão. Não ligar. Cão cheirar péssimo, mas amigo! Muito. Mãe ameaçar novamente. Eu provocar. Mãe dizer que contar a todos eu ser escuteiro... Filho ficar de pé atrás. Mãe dizer que mostra fotografias. 3 horas... Quarto arrumado. Mãe sorriso maligno. Filho medo... E agora?

quarta-feira, junho 22, 2005

Banco de jardim

Esperei por ti. No mesmo banco de jardim. Naquele em que juraste amor eterno. No tal, aonde a nossa vida corria, distante da dor alheia. Esperei por ti. Não apareceste. Estive no banco de jardim uma hora, um mês, um ano, uma vida. E tu não vieste. Vi estações do ano correrem, apressadamente, o seu destino. Observei pessoas e vidas, em constante mutação. Contei os segundos, para poder alcançar as horas. E tu? Nada. Não apareceste. Continuei. Afinal, eras tu. Podia esperar mais um pouco.
Daquele banco, contemplei alegrias e tristezas, admirei as criações de Deus e agradeci-lhe o tempo que me deu. O tempo de espera. As sombras atingiram os meus olhos. A neve caiu sob o meu cabelo. Mantive o meu riso desgraçado e a minha pose cinzenta. O banco continuava o mesmo. A minha vontade de te esperar transitava imutável, mas eu não. Fiquei velho e nostálgico. De ti.
Acabei por endoidecer. De velhice e de dor. Um espírito convulsivo e tuberculoso, era tudo o que me restava. Da espera. Por ti, vesti-me de saudade. Maldita és, que por ti esqueci-me de viver. Tomei o tempo por meu filho e só por ele continuei ali, à espera. Eternamente. Mas tu não vieste. Nunca.

domingo, junho 19, 2005

Filha de Deus...

As folhas de Outono, eternamente, despiam as árvores. Fazia frio, muito frio, daquele que arrepia, não a pele, mas sim os ossos. Mecanicamente, as pessoas cruzavam as suas vidas e rotinas, numa rua da cidade. Não reparavam na dor em seu redor. A dor, de quem tem de sofrer para sobreviver. Não reparavam e tinham vergonha. O medo de contaminação e nojo deturpava-lhes os pensamentos. “Que horror!”, diziam; ou então desviavam o olhar, na tentativa, macabra, de fazer esquecer o que viam. Insensatos...De que falo eu? De mais uma entre muitas, daquelas a quem o destino pregou uma partida, duma prostituta…
Era apenas mais um dia de trabalho. Normal. Vulgar. Estava a chegar ao fim. O pôr-do-sol anunciava, alegremente, o até amanhã do seu “trabalho”. Era um sol cinzento, velho e gasto, mas mesmo assim alegre. Muito alegre. Terminavam, por hoje, as caras desconhecidas, o toque estranho e áspero de milhentas mãos, que pagavam por prazer. Até amanhã, não teria mais de suportar palavras vagas e rudes, gestos duros e martirizantes, não teria, outra vez, de sentir nojo de si mesma. Está quase.
Pára um carro. Um tipo, de aspecto antigo, pede-lhe companhia. Está só, diz ele. Vai encaminhando cigarros, para os seus pobres pulmões, enquanto aguarda resposta. Ela hesita. Está quase, mas o dinheiro é escasso. Os sentimentos são postos de parte, a vida ainda não acabou. Só mais um, é sempre só mais um. Assim começa, assim acabará.
Ela entra. Ele sorri. E agora? Perdidos no nada, ele avança. Ela está nervosa, porquê? Já fez isto tantas vezes, que se esqueceu da sua idade, porquê o medo agora? Quer recuar, hoje não. Não deixa. Demasiado forte. Resiste, mas é brutalizada. Tinha de ser! Ele sorri. Ela arrepende-se de ter entrado. Num momento, daqueles que ninguém quer, mas a que todos espera, ele esfaqueia-a. Uma. Duas. Três, vezes em conta…
Um carro escapa do nada. Fica só ela. Perdida. Sozinha. A morrer. De vez e para sempre. Tem 25 anos e ainda não completou nenhum sonho. Queria viajar, conhecer locais exóticos…nenhum. Entre cada suspiro, a sua vida voa. Para cima. Para o céu. Ainda bem. Aquilo não era vida. Sussurra algo. Ajudem-me. Alguém. Ninguém. Ninguém reparou nela. Na sua face, nos seus medos e temores. Ninguém. “Desculpa mãe”. Morreu…
A vida continua, assim fria e cínica, sempre em frente. No caminho do destino. Não somos ninguém, porque haveria de ser uma prostituta?

sábado, junho 18, 2005

Futebol...

“Em condições normais, seremos campeões; em condições anormais…também seremos campeões!”
Desculpem, mas foi a única coisa de jeito que me passou pela cabeça (será que tenho cabeça?).
A sério! Ou não…

Brisa de Verão

Quando ela acordou, ele já estava desperto há horas. Não tinha sono. Os problemas atormentavam-no. Ela já não o amava. Ele aos poucos percebeu isso. Mas continuavam juntos, na mesma casa, na mesma cama, na mesma rotina. Foi isso que os traiu, a rotina. Ela não o deixou por respeito, melhor, por pena. Não podia, ele tinha-lhe dado tanto, tinha estado sempre lá. Nas dificuldades e nos rasgos de alegria. Não podia. Por isso ficou. Só. Lentamente foi-lhe dando a perceber. Devagar, para doer menos. Os gestos de carinho, as palavras doces que apagam tudo, os olhares cúmplices, tudo desapareceu. Para sempre. Ele percebeu. Tudo. De uma vez só. Infelizmente…
Já estava acordado há muito. Se calhar nem dormiu, não conseguia. A vida escapava-se das suas mãos. Apressadamente. Porquê? Questionava ele. Teria errado? Teria ajuizado de forma incorrecta? Não! Ninguém teve culpa. Nada é eterno, porque seria agora, o amor de duas pessoas? Acabou, aliás, acabou-se aos poucos. Foi isso que custou mais. O ser derrotado aos poucos. Sentir uma facada de cada vez. Saber que a mulher da sua vida, se vai esvanecer, mas ter de partilhar a cama com ela à noite…
Diz-me que está tudo bem, tudo bem hoje à noite, tudo bem para sempre. Diz-me! Ele perdeu-a, mas quero-a quero-a quero-a, uma vez mais.
Vão ficar tantas questões no ar, esquecidas, como a brisa de verão. Ele queria muito as respostas, mas, já não tem a quem fazer as perguntas. Ela já não o ouve. Fugiu. E há perguntas, que sem ela, não fazem sentido. Sem ela não faz sentido… Até a brisa de verão, não faz sentido…

quarta-feira, junho 15, 2005

Curiosidades musicais

Em resposta a um desafio colocado pelo Anjo Caído, aqui vai:
Tamanho total dos arquivos de música no computador
6.23 GB
Último disco que comprei:
"Segundo"
Canção que estou a escutar agora:
"Sunshine" Josh Rouse
Canções que costumo ouvir frequentemente ou que têm algum significado para mim:
1) Lover, you shoulder come over, Jeff Buckley
2) Betterman, Pearl Jam
3) Forget her, Jeff Buckley
4) Reminiscent, Josh Rouse
5) Walking after you, Foo Fighters
6) Glory Box, Portishead
7) 2+2=5, Radiohead
8) Problema de Expressão, Clã
E agora, porque sou um puto curioso, passo este desafio a:
Marta - echoes in the garden
Orquidia Selvagem - a guerra dos sexos
U semelhante - universo de sentimentos
…e a todos aqueles que se sintam tentados a responder!
Razões da escolha:
Para não ficar atrás!!

sábado, junho 11, 2005

Caminho do Céu...

Uma tarde quente de verão. Num quarto qualquer, excomungado há muito tempo. Perdidos na cidade, eles entreolham-se, vagueiam nos seus pensamentos. As roupas caem. Lentamente. Não há pressa, o amor deles não foge. Não acaba. Há muito tempo que o céu deles está a caminho. Têm medo, muito medo. Vergonha também, mas acima de tudo receio. De quê? De tudo. E de nada.
Não falam, só observam. Os seus corpos despidos, de preconceitos, de traições, enfim, desnudos de vida… Aos poucos a noite cai. A cidade fica iluminada. No quarto, apesar do reclame luminoso que teima em viver, tudo continua escuro. Ninguém faz ideia do que se passa. Só a escuridão está presente, viva. Estão loucamente apaixonados, aliás, “doentiamente” apaixonados. A luz negra mantêm-se, o reclame também. Continuam a observar. A viver bem devagar. Com muita intensidade. Com muito amor. O céu é deles, a noite também. Apaixonados. Finalmente.
Imaginaram este momento vezes sem conta. Sozinhos, treinaram as falas e os movimentos. Tinham a pretensão (errada), de tornarem o momento perfeito. Loucos. Mas amantes. Dos antigos. Das cartas, dos olhares proibidos, dos toques suaves na mão, quando se cruzavam na rua. Criminosos. Não podem. Já é tarde. Agora já é muito tarde. O amor e a noite foram juntos. Não existe volta atrás.
Sentia-se no quarto um cheiro intenso. Era produzido pelos seus corpos. Um desejo verdadeiro, uma paixão incontrolável, produzia aquele aroma. Não havia amanhã. Nem ontem. Só o quarto. Na cidade. Sem luz, mas com um reclame luminoso.
Ela era casada. De boas famílias. Marido rico e ciumento. Ele era pobre. Um músico qualquer, a quem o futuro nunca sorriu. Até aquele momento! Ninguém pode impedir a paixão desenfreada dos dois. Nem o destino. Muito menos esse. Sabiam o crime que cometiam. Tinham consciência do erro e das suas consequências. Duras. Demais. Mas amavam-se, quem conseguiria evitar isto? Tinham de ser livres…
Voltando ao quarto…
Será que valia a pena? Seria essa traição merecedora? Ou seria o acto mais justo do universo? A minha opinião? Não posso, sou um mero narrador...felizmente.
O resto? Só a Deus pertence, como dizem os antigos. Não foram felizes, nem tão pouco se casaram e tiveram filhos. Isso só nos contos de fadas. E mesmo aí… Ele foi morto. Julgado e punido, pelo crime (“hediondo”) de amar demais, a mulher de outro. Ela? Além da solidão e do desespero, só lhe deixaram um copo de água. A que ela juntou comprimidos. Infinitos. Tinha de ser.
Não foi o amor que causou estas duas vítimas, nem tão pouco foram as leis. Estava escrito, há muito, muito tempo. Todos temos um caminho reservado, para nós. O deles era este. Infelizmente.
Aconteceu tudo num quarto, algures na imensa cidade, lembrada pelas luzes, mas esquecida pela escuridão que rodeava o local do crime. Muito escuro, apenas iluminado, aqui e ali, pela luz dum reclame: “ Motel Caminho do Céu”… Estava escrito.

quarta-feira, junho 08, 2005

Colete

Podemos ser o país líder na sinistralidade rodoviária, ter o maior número de vítimas mortais e até a vocação genética para ter o “pé pesado”, mas isto tudo não nos impede, de levar o novo código à letra! Se assim não fosse, como poderia eu explicar, a nova “indumentaria” dos carros portugueses? Qual terço no espelho? Qual pirilampo mágico no tablier? Qual cachecol da selecção ou do clube amado? A moda, aliás, a nova forma de estar em sociedade, é, sem margem de dúvidas, o Colete Reflector! Este Colete chega até, a bater aos pontos, os autocolantes no vidro de trás. Antigos baluartes do automóvel português como “Sou tunning”, “SLB glorioso” ou até o saudoso “Rádio Renascença”, não possuem a força necessária para combater o terrível Colete. A sério! É de facto, gracioso de ver, carros e carros a passar, com seus condutores orgulhosos de poderem demonstrar o seu espírito cívico. Aquele sorriso, aquela satisfação de cumprir o dever público, enfim, aquele orgulho de ter um Colete Reflector no carro. Mais, para poder cumprir a lei a fundo, não chega tê-lo no carro, mas sim colocá-lo, nas costas do banco do condutor. Primoroso! Porquê? Simplesmente, não vá o Diabo tecê-las, porque nunca se sabe, quando irá fazer falta! E quando passa a moina, quero dizer, os Agentes da Autoridade? Aí, eles desencostam as suas costas do banco, naquela atitude temerária de: “Tá a ver sô guarda? Eu sou cumpridor, até o tenho o meu aqui por perto…” (isto deve ser lido com os padres). Divinal! Obviamente que os mais cautelosos, não o trazem no banco de trás, mas sim…vestido. Assim se for necessário, uma rápida saída do veículo, não precisam de se preocupar, com o Colete. Sem saberem, deram origem a uma nova moda, talvez (sem querer entrar em demagogias baratas!) a “Mini – saia” do século XXI. Nunca se sabe…
(Colete Reflector, só nós mesmo! Qualquer dia até vamos usar Colete Reflector, no sexo, para se ver melhor, não vá o Diabo tecê-las… O que não fazemos para nos distinguirmos dos demais…!)

Fim do dia...

Tudo tem um fim, até os dias. A diferença entre este fim e os restantes, é a sua renovação. Dentro deste contexto, existem dias que nunca deveriam ter um final, se bem que, outros nem mereciam uma oportunidade. Sou sincero, os meus dias são um desassossego, mas o fim supera tudo, tudo mesmo. É no término dos dias, que toda a dor, toda a frustração e ressentimento, toma controlo. Pode parecer irreal ou até surrealista, mas na mais absoluta ingenuidade, a minha alma sucumbe aos valores negativos. Valores esses, que durante o dia me rodeiam e tentam dominar, mas que eu, com bastante esforço e covardia, recuso. Não sei o porquê desses fantasmas, de onde vieram ou o que querem de mim. Posso ter uma leve impressão, uma ténue ideia, do porquê, de me torturarem. É simples, aliás, é ridículo até. Simplesmente, porque já não estás aqui. Queres saber a verdade acerca de mim? Aquela que nunca admiti, por não te querer dar esse prazer? Eras tu que eu esperava, eu sempre esperei por ti…Tu, tu, tu, merda como és tu. És o pior ácido. Bastou um pouco do teu líquido para me corroer, porra destrói-me como ninguém!
Foi aí que me descomplexei e te vivi de verdade. Tu alimentaste-te disso, dos sentimentos assassinos dos outros. És uma criminosa dos sentimentos alheios. Não porque gostes ou sintas prazer com isso, mas sim porque odeias, porque me odeias. Mata-te teres a consciência de que estás apaixonada por mim; mata-te teres a ideia de que sentes algo, por um merdas como eu. Nunca fui ninguém. Perante os teus olhos sempre fui um débil, um fracasso, um peso na consciência. Deixa lá, eu até compreendo, até aceito essa tristeza no teu carácter.

sexta-feira, junho 03, 2005

Pontos Finais

Duas pessoas. Amor. Impossível. Demasiado desequilibrados. Dor. Sofrimento. Muito. Excessivo até. Juntos, intoxicados. Separados sufocam. Porquê? Certo. Errado. Errado não. Certo inconcebível. Deixa lá! Amor. Continua. Ainda. Traição. Para esquecer. Não funciona. Magoar. Doer. Mais ainda. Desespero. Choro sentido; compulsivo; crónico. Falso. Diz. Enganaste-te. Contrapõe…
Viver. É só o que querem. Viver. Agora não. Noutra vida. Talvez. Suicídio. Solução. Única. Satisfatória? Em principio. Veremos. Ou não…
Até depois. Mais tarde. Ou assim.

Metafísica

Quando um esquimó, sozinho, se peida, lá prós lados do Alasca, será que faz barulho?
Quando o Judas se enforcou, terá o seu pescoço feito “crack”?
Se eu tivesse um clone meu, e o masturbasse, isso seria um acto homossexual?
Se eu injectasse botox nos lábios, fizesse uma lipoaspiração ou um pieling, faria parte do Jet7 português?
Se cagasse notas de 100€, será que os outros me considerariam “rico como a merda”?
Quando uma formiga se suicida, é verdade que faz um som invulgar? E duas? O som é o mesmo?
Como é que um casal de porcos – espinho, acasala? São imunes ás picadas?
Se a Nossa Senhora era, foi e continuou a ser virgem, como é que o José se safou? Tinha de acariciar o “madeiro” (ele era carpinteiro!)? Recorria a assalariadas? Ou sodomizava a Nossa Sr.ª (para ela não perder os “três”)?
Por último, mas não menos importante (!), terá a Nossa Sr.ª de Fátima, realmente aparecido aos pastorinhos? Não estariam eles pedrados por completo? Com a fome que passavam, podiam ter comido uns cogumelos e coisa e tal…estão a ver?
- Aparte – Continuo a achar que isto de Fátima, dos milagres e do resto, não passa duma treta muito bem arquitectada pelo governo da época, para aumentar a produção nacional de pavio, cera e joelheiras. Já repararam no balúrdio que fica, pedir um milagre? Porra mais vale jogar 2 euritos, à sexta, no Euro milhões. Sempre fica mais em conta!

Por agora são estas as minhas dúvidas mais prementes. Se alguém me puder elucidar…

P.S. Estou aberto a novas questões, faz parte do meu espírito filosófico, em acção!

quarta-feira, junho 01, 2005

Adenda

Felizmente tive uma boa educação quando era puto, portanto quando erro, corrigo a minha falha! No último post confundi o Ursinho Puff com o Winnie the Pooh. Assim sendo as minhas mais sinceras desculpas, e fica desde já o meu muito obrigado à Xana Pinto (espiritodecontradicao.motime.com), por me fazer ver, erro tão crasso! Tenho de admitir que o erro deveu-se a falta de atenção, o ursinho Puff é na realidade o meu amigo imaginário...