sábado, julho 30, 2005

Último

Caminho, na solidão bem negra...
Passo a passo, aconchego-me para perto de ti.
Quero que sintas o meu calor, o quente das minhas lágrimas de cera.
Daquelas bem fortes e rudes, que derramei, no último dia que te vi...

Deixo-te este Adeus,
De alguém, que já não sente nem geme por ti...


Pedro, opus 4

terça-feira, julho 26, 2005

Teresa...

És noite,
Dor.
Dor imensa, que corta lancinante.
As roupas,
As carnes,
Os sentimentos.
Uma alma.
Retalhada, há muito sem cor.
A culpa é tua, deixaste o teu amante,
Perdido com outras
Prostitutas. Louco triunfante,
Enquanto lhe pedem os dinheiros,
Em troca de largas noites de calma...

Agora És recordação,
Uma qualquer fotografia,
Num qualquer amontoado de papeis.
Esquecida, fugidia
Perdida há muito entre Deuses pagãos e vivos reis...
Continuas absoluta, eterna no seu coração,
Mas não passa disso, de poucas misérias,
Tecidas por ti, na tentativa (vã) de caçar presa.

Agora És, apenas, uma mescla de gargalhadas sérias,
Quando alguém denuncia o teu nome, Teresa...


Pedro, opus 3

domingo, julho 24, 2005

Demasiado tarde...

Afincadamente, procuro em teu olhar,
Palavras, que me permitam ser,
Um outro alguém. Que me façam acreditar,
Nesta agoniante dor, que teima em arder.

Almejo palavras cativantes...
Possuídas por um amor desenfreado, sem freio.
Daquela que um dia, me armou cavaleiro,
Para me manter, na sua fina linha de amantes.

Seguro estou, de todos os corações despedaçados.
Mais ainda, dos homens caídos em desgraça.
Mas, como posso eu renegar, os dias mal contados?
Segundos por minutos, no relógio da praça,
Foram, infelizmente, por mim retalhados,
Naquela tentativa vã e escassa,
De tentar consertar, esquecendo todos os bocados,
Que malogradamente, constroem a tua vida devassa...

Fiquei, assim, preso a uma teia que não queria.
Onde, quanto mais forçava,
Mais de ti, me esquecia...

É demasiado tarde, para em ti ser criada,
Uma alma nova, que renegue a tua teimosia!
Arrependido? Não! Este Amor valeu a agonia alcançada...



Pedro, opus 2

quinta-feira, julho 21, 2005

Alma de poeta

De quem, a doce mão, que voa, em meus cabelos raros?
Perscrutando, docemente, os caminhos de meu leito.
Procurando o conforto doutro peito!
Qual musa, qual Afrodite, pedindo versos caros...

Será ela, quem vejo do outro lado?
Serei eu, a derradeira chave de seus portões?
Não! Ingénuo sou, perdi a alma com questões,
Sou apenas a nostalgia, dum qualquer desassossegado.

Ó velho farrapo há muito esquecido,
Que pretendias tu, duma sombra
Com tais versos insolentes?

Não vês teu céu ser preterido?
Não vês tua morte dura, rude e longa?
Que o Amor te sussurrou, há muito, entre dentes?



Pedro, opus 1

quarta-feira, julho 20, 2005

Ontem...

...sentia-me assim. Talvez hoje fique melhor...

sexta-feira, julho 15, 2005

Poesia

Quero ser poeta. Queria ser poeta, mas não dá. Não possuo o toque suave, da pena embebida em tinta negra, que lentamente vai desenhando letras numa qualquer folha encardida. Branco, sujo pelo tempo e pela demora da poesia. Não se constrói versos imortais do nada, existe uma preparação. Daí que não posso ser poeta, não tenho o dom de repensar, bem, as minhas palavras. Elas são teimosas, insistem em ser faladas, pelas minhas mãos. A sua força é de tal forma intensa, que eu não as consigo guardar. Prender. Más. As palavras. São tantas as vezes que quero ficar calado... Quero deixá-las fechadas no meu ser, nos meus versos interiores, mas não dá. Por dentro sou feito de poesia, de versos emparelhados que rimam constantemente. Mas cá fora, saem em prosa. Certos e ordeiros, seguem seu caminho, pré-definido, na folha de rascunho. Infelizmente. Queria ser poeta. Quero ser poeta. Mas não dá. Não deixa. Os meus versos têm vergonha. De mim e do mundo exterior.
As minhas perguntas sucedem-se a cada verso, que timidamente engulo. Ninguém tem as respostas para esta doença. Esta afasia de versos poéticos. Não sei. Nem de mim, nem de ti. Existirá ajuda? Solução? Para a claustrofobia dos meus versos? Talvez... Porque são fortes as vezes, em que um verso diria tudo. Faria tudo. Há perguntas que sem ti não fazem sentido, que só a simplicidade, dum “mero” verso, pode almejar responder.
Se ao menos o Camões ainda fosse vivo...

quinta-feira, julho 14, 2005

Emprego de risco

Nestes dias tenho feito descobertas impressionantes! É do conhecimento de todos que existem em Portugal, tal como no resto dos países, empregos de risco. Têm esta definição, já que diariamente, as pessoas que neles trabalham, sujeitam-se a riscos e tormentas, que podem muito bem, atentar contra a sua integridade física! Todos conhecemos os polícias, bombeiros, militares, trolhas (os andaimes não são o eterno caminho para o céu!), professores (experimentem dar aulas na Cova da Moura ou em qualquer outro local, aonde os alunos têm o dobro da idade e tamanho dos professores…), enfim existe uma parafernália de empregos perigosos. Ora eu achei, por acaso, outro emprego na mesma linha de fogo. Os instrutores das escolas de condução. Porquê? Após decidir tirar a carta e quando finalmente consegui superar esse demónio (o código!), cheguei à conclusão que é preciso tê-los bem no sítio. Entrar todos os dias num carro, onde o condutor percebe tanto daquilo, como o Nuno Gomes de futebol, é dose! Mais! Existem aqueles, que a sua destreza para conduzir, só encontra equivalente num elefante de luvas de boxe, a tentar descascar amendoins… Sou sincero, já provoquei alguns calafrios à minha instrutora, que agora até se benze antes de entrar no carro! A tipa anda tão assustada que quando vê o meu nome na lista, dá logo duas cabeçadas na parede e atira com extintores para os pés, na tentativa desesperada de poder, dar baixa por acidente de trabalho. Infelizmente, não consegue e tem mesmo de me aturar. A melhor parte é o seu vocabulário, bem reduzido. “Vai devagar”, “Devagar”, “Devagar já disse!”, (vrim, pum, pum), “Eu não avisei para ires devagar?”, enfim…
A todos aqueles que corajosamente ensinam a conduzir, deixo aqui o meu cumprimento e continência. Valentes. Bravos. As minhas palmas. Peço a todos que façam o mesmo. Até porque eles têm “aquilo”, bem no sítio!

terça-feira, julho 12, 2005

Olhos teus...


Num comboio qualquer, numa carruagem de ninguém, o meu desassossego vai sentado. Contudo ele não descansa, possui um trabalho de 24 horas. Massacrar-me. E como ele é competente!
Só quero sonhar, imaginar. Voar cada vez mais longe, cada vez para mais perto de ti. Oh, como adoro imaginar, tecer ideias acerca do absurdo. Abstracto. Penso-te vestida, nua. Em andamento, deitada ao pé de mim. Penso-te. Vivo através dos teus olhos. Das tuas pequenas telas de cinema. Há neles (nos olhos), uma profundidade irritante e saborosa; num português menos elaborado, são lindos de morrer! Ficas deliciosa com eles vestidos. Os olhos. As duas janelas da alma. Bem abertas, mesmo como deve ser. Abertas para mim, prontas a recolherem, o meu corpo fustigado. Cansado de tanta querela, tanta luta desleal. Mas já acabou. Já cheguei a casa. Aos meus (e teus), doces olhos. Lindos olhos. Queridos olhos. Olhos meus. E teus.
Sou assim, criança de quatro anos. Extasiada com as palavras. Com o mundo novo que acabou de conhecer. Bebo-as sofregamente, não posso, nem quero perder nenhuma. Das palavras. Para poder descrever os teus olhos. Rio. Solto gargalhadas. Pulo de felicidade. Chego a parecer parvo, aos olhos. Não os teus, aos dos outros. Assim fraco e romântico. Fraco como sempre fui, romântico como nunca quis ser.
O comboio chegou à estação. Vou para casa. Até logo. Aqui à mesma hora, pode ser?

sábado, julho 09, 2005

Chaga

Ferida aberta. Ferida que dói, que arrasta solidão. Nódoa negra há muito deixada por aqui. Que chaga é esta que recuso em curar? Marca dolorosa e angustiante que fica. Eternamente. As longas conversas nocturnas não a curam. Os dilúvios lacrimais não ajudam, antes pelo contrário. O seu teor salgado queima, marca ainda mais. A chaga. Que fica e perdura. Não vai embora. Não quer ir embora. Não sem uma cura, uma solução. Felizmente.
Ferida bastarda. Reconhecida ao longe. Demasiado podre, cheia de pus. De porcaria suicida. Ferida pestilenta e macabra. Daquelas que aparece cedo demais, fugindo quando já não resta nada para comer. Chaga que aguenta a chuva, o sol, o choro e a alegria. Chaga feliz. Por existir e por fazer doer. Maldita chaga. Mas é minha. A minha linda chaga.

quinta-feira, julho 07, 2005

A outra face

Ao caminhar pelas Terras de Jerusalém, Jesus disse: “ Se alguém vos bater na face esquerda, não o injuriem ou castiguem. Ofereçam sim, a face direita.”
O melhor que eu posso dizer, é que no fundo este tipo nunca levou uma cotovelada do Macarthy ou uma cabeçada, do mítico Paulinho Santos. Aí sim queria eu vê-lo a dar a “outra face”…

"Naif"

Isto é assim! Após a leitura cuidada dos comentários, aqui deixados, atingi mais uma conclusão!! Cá vai: os leitores deste blog (existem?), andam todos enganados! Porquê? Eu explico. Tenho lido vários "comments", aonde voçês afirmam que o meu blog tem qualidade, que escrevo razoavelmente...enfim será? A sério, ou voçês não chegam a ler o que eu escrevo ou então quando cá passam, já estão sob o efeito dum qualquer psicotrópico! Se querem mesmo compreender o que eu digo, atrevo-me a convidá-los a ler os textos mais antigos. Explorem os outros meses de actividade do blog e depois digam de vossa justiça! OK?
P.S. (Isto no fundo, não passa duma tentativa, desesperada, da minha parte para que alguém leia o que eu escrevi anteriormente. Naquela de aumentar a minha auto-estima! Não digam nada a ninguém, please!!!)

quarta-feira, julho 06, 2005

Ingenuamente

"Ingenuamente amo-te"...esta frase insiste em bater na minha pobre cabeça. Ela está tão fraca, tão débil, mas a frase insiste. A escrita continua a ajudar. Escrever, apesar de te trazer para mais perto, permite-me matar-te um pouco mais. Em cada letra, palavra, frase, tu esvaneceste um pouco mais. Devagar as tuas cinzas vão desaparecendo, devagar. "Ingenuamente amo-te"! A frase diz tudo, significa tanto, e tu sabes, sempre soubeste! Continuo aqui, no local onde tudo começou e onde infelizmente irá acabar. Tem de acabar.
O quarto está só. Vazio. Nele encontro-me eu e as minhas palavras. Releio-as vezes sem conta. Não fazem sentido nenhum. Penso para mim próprio: tanto papel perdido, tanta tinta gasta e nem um pensamento positivo. Desgraçado. Desassossegado. Perdido. Velho. Podia continuar mais uma vida neste quarto. Passam-se dias, semanas, meses e o quarto continua só e vazio. Há muito tempo que não tinha um amigo tão bom, tão fiel, tão calado! Há muito tempo que não tinha um amigo. Neste quarto sou livre, sou puro, sou sonhador! Sonhar é algo que nunca me irás tirar. Nos sonhos és minha, mais do que alguma vez foste; nos sonhos somos só nós dois, ninguém nos apoquenta; nos sonhos somos os amantes do tempo eterno, os amantes da vida, no início e no fim; somos...

sexta-feira, julho 01, 2005

Conversas...

“E falaram. Durante toda a noite, a manhã do dia seguinte, boa parte da tarde.
As palavras derrapavam no céu da boca, tanta era a pressa de serem ditas, falaram de tudo e de mais alguma coisa, tinham um mundo de conversas para pôr em dia, muitos segredos para partilhar.”

Para alguém, muito especial, que me “ensinou” a magia da palavra conversar. Obrigado.
Até à próxima "mesa de café"…

Preto no Branco

Alguém morreu. As rosas no túmulo, indicam isso. Rosas negras. Perfeitas para a ocasião. Para a morte. Alguém morreu, foste tu? Não! Então para quem são as pétalas negras? Que razão terá a chuva, para cair com tanta intensidade? Continuo frente ao túmulo. De pés molhados. Por causa da chuva.
Parece que vem aí alguém. Um vulto preto. Muito bem esculpido. Moldado. Deixa umas pétalas brancas, junto ás eternas rosas negras. Preto no branco? Com a chuva? Ficará bem? Pergunto-lhe quem morreu. Não sabe. Diz-me apenas, que se trata de alguém sem qualquer importância. E que gostava do branco. Daí as pétalas. Mas e o escuro? E as rosas? De onde vieram? Quem as deixou? Arrrgh (!), tantas dúvidas, tão pouco tempo. Suficiente apenas, para molhar os pés. E a face. É chuva boa. Daquela que limpa tudo. Menos o negro. Das rosas…
Leio o nome, gravado a letras brancas, no negro túmulo. Vejo e compreendo, claramente. É o meu nome, que está lá gravado. Para a eternidade. Fui eu que morri. Aquela merda de túmulo não mente. Não tem direito. Está confinada ao meu, irrelevante, nome. Coitada. Da sepultura. E de mim, que morri. Sem saber.
Enfim, o branco é perfeito, mas desejam-me boa eternidade, com rosas negras. Desgraçados. Hei-de voltar. Um dia…