domingo, agosto 07, 2005

Dos dias (alegres), quando adoravam mais...

Não odeies as palavras, elas querem-te bem,
Protegem-te quando não estou.
São elas que te aconchegam de noite, quando me vou.
Não sentes?! O perfume delicado daquele que amou. Do outro alguém.

Suspiro...sinto-me ir e não mais voltar...
Onde estás? Quem ousou roubar a minha linda harpa?
Que faço agora? Fiquei sem pautas, sem música para tocar.
Não! Não digas que morreste, deixando só, o teu espinho, a tua farpa...

Volta...
Não é crime estar aqui à noite!
Será erro querer ter-te? Será que esqueceste a música?
A doce melodia, que te encantava, nos dias de chuva?
Nas tardes de sol? Nos beijos prometidos? Nos risos esquecidos?
Volta...
Querida melancolia.
Que não mais quero...
Querida nostalgia.
Que me alimenta, mas que não posso. Renego...
Volta...
O lago secou, as lágrimas emigraram.
Perdeu-se a vida eterna, a chama de âmbar que ardia.
Até no Olimpo os músicos pararam,
Já não era sentida a melodia, matou-se o final. O canto da cotovia...
Volta...
Chega de finais tristes. Romeu e Julieta.
Pedro e Inês. Todos sofrem.
Não por nós, mas pelo amor desprezado,
Dos tais que preferem destruí-lo, a viver o seu único pecado...


Pedro, opus 7

quinta-feira, agosto 04, 2005

O choro dum (qualquer) pintor...

Chorei um choro, sofrido de ti. Choro um choro, desejoso de ti. Anseio, bruscamente, que chores por mim. Da forma mais grotesca possível, quero sofrer por ti. De ti. Em ti. Brado ao inferno. Clamo (e reclamo) uma oportunidade. Já não tenho céu, nem anjos, nem estrelas. Nada. Absolutamente nada. Quero-te viva. Assim, morta...
Pinto-te surrealistamente na minha cabeça. Tenho um amor abstracto, demasiado quadrado, para coexistir com as tintas da tela. És aguarela, com cores mescladas de lágrimas. Mistura ridícula, mas forte. Vai durar um reinado. Do rei que não quer este quadro. Queria obras alegres. As mórbidas e dantescas não encaixam.
A história está repleta de reis e platonismos. Platonismos amorosos. É só mais um. O meu!
São várias as pinceladas, que vão pintando o nosso amor. Somos, no entanto, pintores fracos. Esquecemos as cores quentes. Só frias. Escuras. Preto e branco. Cinzento, como a minha vida sem ti.
Fraco de mim, que não consigo acabar o quadro. As mãos bloqueiam na tua face. Esqueci-me das tuas linhas. Dos teus traços. Absurdamente contagiantes. Delicadamente feitos. Abruptamente expostos. Merda de dor, que não permite transpor o sentimento para a tela. É lá que ele pertence. Parado. Estático. Sem fazer mossa. A mim. Na tela. Na nossa tela. Pintada a lágrimas. Pintada a viver, sem tempo para suspirar.
Lembraste dos suspiros que limpavam a alma? Que varriam os sentimentos impróprios para beber? Nem eles sobreviveram. A ti. Às minhas lágrimas. Cheias de ti. Fiquei marcado a sal, por ti. Vai-te, quero terminar o quadro...